quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Se fechares os olhos, estou lá...
És memória presente...
Ausente...
És um ponto de luz no escuro,
um dia tranquilo, seguro
e eu estou quase lá...
E há um ponto de luz presente,
ausente
das coisas que se chamam
complicado...
E se fechares os olhos, estou lá...
E a rua que se fecha ao fim do dia,
as coisas que perdem a graça,
da luz que lhes foge a correr,
a rua ganha sentido
e os olhos, fechados, sorrindo...
Sorriso de uma luz que se vê...
Ao fundo de um caminho preciso,
um gato pardo, e um guizo
que soa num canto de ouvido,
um canto que nem se nota, ou vê...
Mas se fechares os olhos, estou lá.
Num canto, memória, quiçá...
Uma ponta de vento forte,
que se eleva, vinda do norte,
e te beija com um quente de mel...
E sempre que se levante
o medo assim de rompante,
e te faça sequer duvidar
que estou sempre lá...
Pousa a mente inquieta,
num ponto de luz incerta...
Verás um sorriso que é teu.
Se fechares os olhos, estou lá...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Passou


Não era o que eu queria dizer...
As palavras saiam às cavalitas,
trocadas e sem sentido...
Os meus olhos enganavam o cérebro
e mostravam as coisas ao contrario.
As pessoas caminhavam pela rua
e Eu ficava, imóvel, insensível
a tudo, às luzes...
Passei por ti mas não te quis ver.
Fiquei chateado, sabias?
Isso não se faz a ninguém...
Queria tanto o que queria,
que nem liguei ao resto...
Perdi-me do Mundo.
Fechei-me Dele e agora...
Agora já ninguém me conhece...
Nem Eu.
Passou...
Mas continuo chateado, sabias?
Continuo sem saber o que aconteceu...
Porquê e para quê...
Até pensei que fosses Tu,
por uns momentos...
Mas depois a porta fechou-se
e Eu perdi a chave que a abria...
E as pessoas passavam
e nem quiseram saber...
A agora?
Passou...
O tempo...
A vida...
Passou e perdeu-se o que havia...
Não era o que Eu queria dizer...
Mas disse...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobra-me


Sobra-me um sopro.
Um pedaço de brisa
que o mar trouxe com ele.
Um suspiro de inverno
num dia quente de outono,
matinal...
Sobra-me um todo.
Pedaço de um momento,
deixado no canto, ao pó...
Sobra-me tanto...
Tão pouco o tempo
que sobra, em branco...
Sobram-me as ideias,
perdidas num quarto
de azul, bem escuro,
longe da mente desperta.
Sobra-me a fala.
Que me leve a mente
à tua e se faça entender,
perceber, como deve ser...
Sobra-me tanto...
Tão pouco...

sábado, 11 de junho de 2011

Se quiseres


Se quiseres, pode ser que esteja aqui...
Se for um daqueles dia de chuva molha tolos
em que nos convencemos que as gotas
que quase se não vêem, não nos molham,
mesmo que já estejamos encharcados até ao tutano.
Se quiseres que te espere,
como sempre à esquina do caminho,
sem saber ainda para onde ir.
Se quiseres pode ser que sim...
Que seja só mais um no meio de muitos...
Outros como eu, ou como tu, não sei, nem tu.
Se quiseres, toca na manhã...
Beija o nevoeiro sorrateiro...
Dá-lhe um ar da tua graça e muda-lhe as vontades.
Se quiseres encosta os teus lábios na face
quente de quem anseie por eles,
ou então não, e deixa que seja o anseio
a ganhar, a perder-se por uma tentação...
Absurda, se calhar...
Se quiseres...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Prumo...


Estavas aqui, pois sim...
Eras um tempo diferente do meu.
As coisas a correrem para de baixo
de um tapete, a esquecerem-se,
e tu aqui, pois sim...
Desciam as gotas do céu,
num dia cinza de inverno, terno...
Caiam luzes foscas dos candeeiros
na rua fria de gente, de vida.
Eu olhava para as coisas,
a tentar equilibrar-me num
fio de prumo à vertical...
E tu aqui, pois sim...
Aqui a ver, como eu, as coisas,
de fora, em frente...
Nem sei já que diga...
São as ideias que se atropelam
e confundem umas às outras.
Sou eu que, de pé, tento não cair,
quando sei, porque sei,
que num fio de prumo
não se pode caminhar...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Deserto


Caminho deserto que leva para longe...
Anseios desperto neste não saber.
Faço-me forte aos outros mas aqui...
Aqui não há forças que valham...
Não há chãos que se pisem,
nem sequer um toque quente
ou um sorriso, perdido no meio
do escuro...
Caminho desperto de anseios...
Deserto, o lado esquerdo da Alma
por não ser, não saber senão...
Desejar...
Desejar-te...
Longe mas perto.
Doí a distancia...
Distrai...
Queima o peito e o âmago,
por dentro, e faz longe, o caminho...
Deserto...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Perdi-me...


Perdi-me num olhar...
Passou por mim, tranquilo e perdi-me...
Deixei de ouvir o ruído do mundo.
Passam-me ao lado as coisas, e eu?
Perdido num olhar...
Um olhar teu, que me enche a Alma
Entrou por mim a dentro e desarranjou
as ideias e as coisas que escondia de mim.
A atenção do que se passa passa ao lado, e eu?
Perdido num olhar.
Perdido no tempo que passou desde então,
e as coisas seguiram o seu rumo
e aconteceram, e eu...
Eu perdido nesse olhar,
nem dei conta de ti...
Nem dei conta das coisas...
nem dei conta do quando me fez bem
perder-me nesse olhar...
E feliz contemplo o caminho,
perdido num olhar...

terça-feira, 15 de março de 2011

Ler


Assim de repente não sei ler...
Não se percebem as letras do caminho.
Assim de repente o Sol ofusca as ideias
e desarranja os pensamentos...
E as coisas que parecem reais,
frágeis ao toque de uma mão
cheia de rugas,
cheias de nada e de tudo
ao mesmo tempo, essas coisas,
fogem de nós, como se preciso fosse
que fugissem...
Assim de repente cria-se uma ilusão...
Prende-se o olhar em algo
que passou, que partiu, já longe...
Assim, como quem não quer, mas quer...
E já nem se percebem as letras do caminho.
Já se inventam e põem nos sítios que se quer,
só porque aí parecem bem...
Só porque se quer que façam sentido
mesmo que deixem de o ter.
Só porque, de repente, alguém diz
que, dê lá por onde der, têm de fazer sentido.
Só porque sim...
Assim não brinco.
Assim fico de fora, a ver...
E talvez, quem sabe,
chegue alguém que as arrume
e lhes dê o sitio certo para começarem
a fazer sentido...
Assim, talvez...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Azul


... e se um pedaço de céu,
azul, tranquilo,sereno,
se soltasse lá do alto
e fosse ter contigo
e te sussurrasse ao ouvido
aquilo que daqui gritei para ele?
Sabes o que te diria?
Que tem ciumes teus
por Eu lhe dizer que o teu Azul
é de longe o melhor...
E até é a cor de que mais gosto...
E agora, mesmo agora,
gritei ao céu que o teu
Azul é mais que o dele...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cai...


Um pedaço de céu
dá-te a chuva que cai...
Manhã submersa num tom
de melancolia, fria...
Um pedaço meu,
que adormeceu,
que se esvaí...
Murmúrios que juntos,
souberam a algo, um dia...
Desperto ao mundo dos tons...
A chuva parou e o som
da cidade começa a ouvir-se outra vez.
Um som que te acorda e tira
da dormência do que aconteceu...
um pedaço de vida
que já não te diz respeito...
Um suspiro perdido num mar
de gritos de silencio...
Mal se ouve, mal se vê.
E os ouvidos e sentidos,
presos nesse momento.
Nesse pedaço de céu
que te dá a chuva que cai...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O meu lado esquerdo


Como se fosses de cristal...
Belo, brilhante e vivo de luz
dentro das coisas que são e não são...
Feita de sonhos, meus e da manhã,
que vem, sorrateira, abrir-me os olhos.
Feita de um sorriso que
roubei ao teu rosto no outro dia.
Como se fosses de flores...
à espera dos raios do Sol...
De um pouco de brisa de mar...
Como um barco a navegar as ondas
suaves de um dia de verão...
Como se fosses um céu,
que se derrete em azuis imensos
e nos faz perder o olhar só porque sim...
Como se fosses uma cor de que goste.
Gosto de ti sem querer...
Gosto de ti sem saber...
Quero-te sem te provar...
Acho que sei que cá dentro
o que diz o meu lado esquerdo
é que sim...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

(im) Paciência


Saí agora, e depois?
Já lá estava quando chegaste e não disseste nada...
As pessoas começaram a falar em surdina
e a olhar de soslaio por estar aqui,
sozinho, à tua espera...
O prato na mesa a esfriar e um toque
de amargo na boca, a olhar a porta, e a desesperar por te ver.
Se calhar querias que não me importasse...
E se calhar nem me importo, mas isso não interessa.
Agora já saí...
Perdi o tempo e a paciência de te esperar.
Tenho mais que fazer, mais que ver e mais que conhecer...
Sim, agora que perdi o teu sabor, posso
realmente mudar de gosto e partir para algo de novo.
Se quiseres fica por aí...
Pode ser que um dia percebas aquilo
que senti por ti...
Pode ser que um dia te decidas a perdoar
a minha paciência por te esperar.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Acordar


Acordei, abri os olhos e olhei o mar azul,
mesmo à janela do quarto...
O dia espreguiçava-se areia abaixo
e prometia ser quente.
Quente, pensei...
Olhei para a cama e estavas ainda dormir.
Que visão perfeita naquele instante.
As tuas costa nuas e suavemente pousado nelas,
o lençol, que descia por teu corpo abaixo
escondendo e revelando tudo ao mesmo tempo.
Naquele instante amei-te mil vezes seguidas.
Fui à janela respirar um pouco e voltei
para perto de ti.
Pousei as minhas mãos
no teu corpo e sem que soubesses
fiz um mapa de ti na minha mente.
Acordei-te com beijos de cima a baixo.
Abriste os olhos, sorriste para mim,
e quando me ias falar...
Acordei...
Vou ficar o dia todo em casa.
está chover lá fora e neste momento
não me sai da cabeça a tua voz...
E quero dormir de novo,
para saber o que me dizes
quando te acordo aos beijos...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mãe...


Lembro-me daqueles momentos em que de repente,
assim, do nada, me vinha à memoria o quanto gosto de ti.
Lembro-me daqueles dias em que me deste de comer
e me vestiste do inverno que esfriava lá fora.
Lembro-me do sentimento de alegria e aperto no peito,
que dói mas é tão bom...
Lembrei-me agora de novo desse sentimento que pulava do coração
e não me deixava passar um dia que fosse sem que te dissesse.
Amo-te...
Nunca tive a oportunidade de to dizer verdadeiramente.
Era um puto que mal sabia o que é este estranho carrocel a que chamam vida.
Cresci com este sentimento no peito e mesmo quando
me revoltava contra ti, ele nunca me deixava
dar aso a essa revolta, e matava tudo assim que via os teus olhos.
Ali tudo se desvanecia naquele sentimento de amor...
Passou já tanto tempo...
Passei já tanto nesta vida sem ti.
Corri montes e vales, estive nos prados, nas lamas da vida.
E sempre que me lembrei de ti,
vi os teus olhos...
Já não me consigo recordar deles...
Queria tanto.
Queria lembrar-me dos teus olhos.
Queria lembrar-me do teu sorriso.
Queria lembrar-me da maneira como me falavas.
Queria, nem que fosse por um instante, lembrar-me...
Nunca te esqueci... E nunca te esquecerei.
Foste e serás para sempre o meu grande amor.
Estás e estarás sempre no meu coração.
Só queria poder lembrar-te na minha mente um pouco mais...
Um pouco melhor...
Amo-te para sempre...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Às vezes


Às vezes as pessoas não chegam...
Às vezes, por muito que se queira não se acha
o caminho e ficamos parados a olhar o horizonte.
Às vezes não há vontade que chegue,
nem que se queira muito.
Às vezes só há um suspiro...
Uma palmada nas costas de quem
não entende e não sabe...
Um conselho que por bom
que seja, não se pode usar.
Talvez porque às vezes se sente
que por muito que se faça,
nada faz sentido.
E o Mundo insiste em rodar,
em seguir a viagem, mesmo sabendo
que ficámos para trás e se não
formos nós a correr atrás dele...
Aí às vezes perdemos o caminho...
Às vezes dão-nos a mão...
Mas nem sempre podemos contar com ela...
Isso é que dói...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Corpo nu


Corpo nu...
Há um som estranho
nas paredes do quarto.
Um copo de vinho,
meio cheio,
meio perdido...
Os lençóis que já
não estão no lugar.
Corpo nu...
Um aroma a desejo
que paira nos lábios...
Um fulgor de anseios
que se chocam em cadeia.
A cadeira que baloiça
ao toque um beijo.
Corpo nu...
Estendido nos braços meus,
desejo...
Sentidos abertos,
desertos, malvados...
Fraqueijam-me os dedos
já trémulos de ti,
de um toque que
já não seja irreal...
Um suspiro, ultimo,
e adormecer tranquilo,
sereno,
bem junto ao teu...
Corpo nu...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Falas de ti


Falas de ti,
das coisas velhas
e do tempo que passa...
Levam-me as tardes
quentes de verão...
Sabores de um
copo de vinho na mesa.
As paginas de um livro
que se debruça
à brisa vespertina...
Os passos de alguém
que sobe a rua...
As ideias que se perdem
e se fundem num olhar de prazer...
Um suspiro de sorrisos
que se amontoam na cara.
Um ola que sabe a mel...
Um beijo que cora
o céu de inveja...
E ali na minha frente,
sentidos de amor despertas.
Meus olhos em teus se perdem
as mãos, por ti desertas...
E sem sequer te dares conta,
do fogo que arde cá dentro...
Falas de ti e das coisas...
E eu perdido no centro
de um monte de coisas tontas...




domingo, 23 de janeiro de 2011

Para sempre

Tenho aqui dentro um frio estranho...
Engasgam-se-me as palavras ao sair...
E o cinzento de uma foto antiga
é o único vislumbre de cor que se tem deste lado...
Tenho aqui dentro um frio estranho...
O silencio grita de mim ao ver-te partir...
A rua torna-se mais longa com os teus passos
fica mais escura, sombria...
Tenho aqui dentro um frio estranho...
Dentro de algo que não é meu...
E já nem tu nem ninguém mandam nele...
Tenho aqui dentro uma manhã fria.
De um dia frio de inverno que passei
a olhar a janela, a rua longa de ti...
A rua que te levou, por aí...
E a foto que guardo comigo
continua cinza, a mostrar o canto
onde um dia, frio, me apertaste
a mão e prometeste calor, para sempre.
Perdoa-me meu amor,
mas agora sei que não há para sempres...


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sentimento

Esfuma-se o fumo de um cigarro
por entre dedos dormentes...
És da cor do que quero...
Da cor do meu sentimento.
Sentido e passos dados fora...
Da cor de um dia que passa
sem se ver, sentir...
Faz frio lá fora
e o cigarro corre a extinguir-se,
e o silencio que corta
este quarto pequeno,
desarranja as ideias...
E a cor das ideias esvai-se,
e o fumo escapa-se dos dedos
por esse fundo de corredor
quando se abre a porta...
Só restas tu, cor, num mundo cinza
que se esqueceu que um dia o céu foi azul...
És da cor do que quero.
És flor num mundo estéril...
Sentido e momentos guardados dentro.
Da cor do meu sentimento...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Há momentos


Esconde o momento...
Esconde-o atrás de um sorriso,
ou então, escondido numa gaveta
que ninguém consiga abrir.
Os olhos a esconderem-se
por entre um corpo nu
ou a deliciar-se com um simples pôr de Sol...
Espera que não te encontrem assim,
ferido e fragil,
escondido e sem forças...
Que descubram que afinal já não
és quem dizias ser...
Que afinal o que foi não era para ser.
Ou então que já nem te lembras
daquilo que disseste no outro dia...
E o Sol já se pôs...
Já não há calor que distraia,
nem luz que ofusque...
Faz figas...
Esconde o momento...
Que o não encontrem e to tirem...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um copo de vinho


Hoje o som do dia não se faz ouvir...
Ficou parado no espaço que o separa
da confusão da gente.
Nem o vento que passou pela praia
teve coragem de mostrar onde ia.
Nem a chuva se ouve,
a cair no chão e na janela do carro.
Nem as pessoas que falam na rua
se ouvem umas às outras.
Falam em surdina, para elas, com elas...
Viram costas e saem, cabisbaixas
pela rua abaixo, até desaparecerem
pela bruma que faz o silencio.
Hoje o som do dia, distraído,
nem se lembrou dos pássaros,
que de frio se esconderam de nós...
Hoje está um silencio calmo...
Lembra os dias em que um copo de vinho
faz esquecer tudo.
Lembra os dias em que um copo de vinho
nos faz recordar tudo...