quinta-feira, 27 de maio de 2010

Silêncio


Já não há nada aqui.
Já não há sons que invadam o ouvido.
Já não há passos dados no chão frio de pedra.
Já não há gritos de prazer num momento bonito.
Já não há luz que me diga o caminho.
Já não há nada aqui.
Já não hás tu.
Já não há o nosso tempo.
Já não há nada.
Nada que possa agarrar e dizer que é meu.
Que quero guardar comigo para sempre.
E para sempre até nem parece longe
quando já nem há nada...
Fecho os meus olhos.
Cá dentro, o Mundo que criei,
e tu nele, fitas-me com
o teu olhar de mel e cor.
É vivo o meu Mundo.
É um Mundo como deve ser.
E penso...
O Mundo que quero é este.
Abro os olhos...
Silêncio...
Perde-se o Mundo na memoria...
Aqui? Nada...
Já nem o silêncio se digna a ficar.
Um tudo de nada...
E já nem há nada aqui...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mar de tempo


Já é tarde, sabias?
Já há muito dia e luz para trás.
É muito mais que um simples acordar.
É um murro no estômago quando menos se esperava.
E Eu nem sei onde vou, daqui.
Só sei que é tarde, já...
E tu és longe, e perto ao mesmo tempo.
Agora e ontem, assim, de repente...
Fuga ao nexo e ao desalinho.
E Eu não entendo, mas aceno com a cabeça,
como se tudo fosse óbvio, claro!
Pois então?
Já é tarde, sabias?
Já é tarde e eu tenho de por as
minhas coisas no carro e sair...
Temos os caminhos trocados.
Há um mar de tempo
entre os nossos dias.
Um mar de tempo
entre um olhar.
E mesmo que não entenda
porque o faço, assim, de animo leve,
nada me impede de o fazer...
Bem podias...
Mas era pedir demais.
Nem Eu mereço isso...

sábado, 15 de maio de 2010

Deixa-me


Deixa-me sair daqui...
Assim como quem sai de manhã para o trabalho,
sem olhar duas vezes para o que ficou por fazer.
Deixa-me sair de ti...
Fugir-te e perderes-me de vista e nem sequer
quereres procurar-me pelos recantos...
Deixa-me chover por ti abaixo
e molhar a tua pele fria e calada.
Deixa-me ser a luz de um breve instante de Sol.
Secar a agua que jorrei por ti abaixo
e aquecer a tua Alma...
Deixa-me despir o momento...
Devagarinho...
E sentir que o tempo foge ao controlo do mundo
e se refugia no lado esquerdo do meu peito...
Deixa-me sair daqui...
Assim como como quem sai de mansinho
de uma vida que se pensava a certa...
Deixa-me sair de ti...
Desaparecer por ti a dentro e esconder-me
no teu âmago e Tu!!... Tu bem querias
encontrar-me, mas Eu!!!... Eu escondia-me de ti...
Assim me deixasses...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Apaga isso!






Apaga isso!!
Peças de qualquer coisa, que querem juntar-se
e fazer, ou fingir fazer, parecer algo.
coisas que sós, não se entendem
e andam por aí ao Deus dará,
à espera de algo que não se sabe...
Não se é...
Apaga isso!!
Faz-te mal à saúde e à alma.
É como um cigarro que se fuma
e sabe bem...
Tão bem, mas faz mal, desgraçado...
Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe...
Apaga isso, já disse!!
Levanta-te já desse estado de inercia em que ela te pôs
e acorda para o caminho que tens de seguir.
Acorda para os teus pés e para os teus ideais.
E se não fossem os outros,
aqueles que estão contigo,
agora não estavas aqui,
a ver o embrulho de dias
que se amontoam atrás de ti...
Apaga isso!!
Já te não serve de nada continuares
com isso na cabeça e no telemóvel,
mas, nem sabes porquê,
lá está, guardado, só para te tirar a calma,
quando quiseres.
E tu queres que a calma se vá de ti.
Queres perder a cabeça e ter uma razão...
Apaga isso!!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Se te vir



Se te vir de novo escrevo-te...
Sim, escrevo-te!
Porquê? Não posso?
Eu faço o que quiser com aquilo
que os meus olhos me despejam na mente.
E assim que te vir, ponho-te num papel
do meu caderno, em letras.
Letras estúpidas, se calhar,
mas das que juntas, formam algo
que faça sentido...
Pelo menos mais do que isto.
Se te vir escrevo-te bela e formosa,
ou então não... Depende...
Posso estar cego...
Ou então só parvo e não queira
ver o que vejo...
Mas se te vir escrevo-te...
Nem que use só uma letra para
te escrever...
Pelo menos ficas no meu caderno
para sempre

terça-feira, 4 de maio de 2010

O sorriso que é teu


Deixaste cá um suspiro...
Quando saíste porta fora nem sequer te preocupou saber
se o que deixavas para trás era teu ou não...
Ficou por aqui aos caídos...
E descansa que ninguém lhe tocou...
Ficou aqui, esquecido de ti, de tudo...
Deixaste cá o tempo...
Ali ficou... Ao canto escuro do quarto.
Escondido dos olhares indiscretos
de quem entrava e olhava o escuro,
curioso de saber o que encontrar...
Se encontrar...
Deixaste por aí, por ventura,
algum resto do que te dei?
É que me faz falta para começar de novo
a olhar o mundo que destruí.
Traz-mo se o tenhas...
Espero por ti à noite.
E quando a noite caia e te deixes
levar pelo silencio do vento
que passeia pela árvore ao fundo da tua rua,
estarei por lá com tudo o que aqui deixaste.
Podemos encontrar-nos sob os braços
cobertos de folhas e memórias
e quando a tua boca se espreguiçar
deliciosamente no sorriso que é teu,
trocaremos de olhares e eu dou-te o brilho
das coisas tuas que guardo em minhas mãos...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Talvez


Talvez seja por te perder.
Talvez seja só um murmúrio ao fundo do dia.
Talvez o tempo pense em parar um pouco
e amparar a queda...
Talvez não olhes para trás
e sigas o teu caminho sem
pensar sequer no que aqui deixaste.
Talvez seja só uma memoria distante,
tão distante que já nem te faça recordar.
Talvez a chuva lave a rua onde
passos dados pelas gentes
ficaram, perdidos nas pedras.
E já nada haja senão um
ténue recordar do calor que já vivi...
Ou então talvez seja só a minha imaginação
a brincar comigo e fazer-me pensar
que tudo isto tem de fazer sentido.
Estás cansado... Vai dormir!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fica aqui


Livro de mil paginas...
Fugaz momento em que
se perde todo o tempo do mundo.
Letras que brotam das paginas mil,
e seguem a amontoar-se
num murmurinho de complicados
e esquisitos...
Olhos que mal vêem e nada lêem
longe de algum dia entender
o significado de um suspiro.
Vento que passa,
perdido nas paginas,
mil, de um livro
e finge lê-lo de fio a pavio.
Vai-se embora o vento...
Foi-se embora o tempo...
Foi-se embora o lógico...
Só resta o tormento da incerteza
que pula de dentro para fora
numa ânsia eterna de se soltar.
De sair para o vazio e enche-lo
de raiva e vingança...
Fica aqui.
Não saias ainda.
Não já...
Espera um pouco...
Deixa o Sol sair de mansinho
e quando a luz já não for mais
que uma leve recordação no fundo dos olhos...
Quando as plantas se curvarem
ao inicio da noite escura.
Quando se fecharem os olhos,
cansados deste dia,
então dá asas a essa vontade
e invade esse vazio...
de Ti.

domingo, 11 de abril de 2010

Um beijo...


Eras tu...
Sei que sim, mas nada vi.
Nada fiz para o merecer.
E depois vêem-me com a conversa
de que o que foi, foi porque tinha de ser...
Não quero saber disso para nada!
O importante é que eras tu,
se calhar e eu nada fiz, nada vi...
Assim, passou, o momento...
Passou a hora e tu saíste.
Foste para longe de mim, nem sei para onde
e agora estou aqui e olho para trás e fito a minha inercia,
inaptidão de no momento certo ter feito o certo que era fazê-lo...
E de certo tinha corrido diferente, melhor se calhar...
Nunca saberei agora.
A não ser que o teu olhar volte a cruzar o meu.
Aí, se calhar faço o mesmo, ou então vou a ti
e do nada roubo-te um sorriso...
Um beijo desconhecido.

domingo, 4 de abril de 2010

Mentira


A cabeça está vazia.
Tento chegar ao que lá tenho.
Diz-me que está vazia...
Nem lhe acredito as palavras.
Sei bem que me engana, a estúpida...
Mas mente na mesma.
E deve pensar por lá que,
só porque é dona das minhas ideias
se pode por assim a enganar-me...
E depois manda com coisas
diferentes para me baralhar.
E mente... Diz que não tem nada.
E diz-me que está vazia...
Vazia és tu cabeça.
Tu, que nem consegues
enganar os outros quanto mais a mim.
Os outros é que me enganam
e mentem... e passa
sem que o saiba...
E não penses tu que os podes imitar...
Bem podes tentar,
mas no dia em que deites abaixo a tua torre,
lembra-te que vais lá estar dentro.
E quando cair, cais com ela...
No murmúrio da mentira...

domingo, 28 de março de 2010

Ultimo beijo


Se parasse agora?
Se ficasse por cá, a devorar os segundos
que brotam do relógio, sem parar,
sem pararem...
Se os segundos parassem e o mundo
ficasse quieto?
Se ficasse em silencio a olhar para tudo,
de fora?
A chuva a parar no ar,
e dava até para tocar
nas gotas da agua,
e ver a forma delas...
E dava para ver a cara das outras pessoas
e dos bichos, ali,
paradas pelo tempo.
Paradas pelo ponteiro dos segundos,
e o ponteiro dos segundos, feito louco
a querer sair do lugar e pôr tudo a funcionar,
mas nada!!
E se parasse agora?
As coisas todas no lugar e eu a sair daqui
e a ir para lá e saber que era tudo sem tempo.
Tudo sem se esconder...
E se parasse agora?
Dava um passo maior que a perna e fugia
ao pé de ti, só para te roubar um beijo.
Um ultimo beijo, porque não quero mais,
só um...
Aquele que ficou por dar.
E nem eu nem tu vamos nunca
encontrar o tempo para o ultimo beijo.
Só se o tempo parar e um de nós queira,
e venha, de mansinho,
roubar o beijo que nos morde todos os dias...
Sem se saber...
Sem se esconder...

terça-feira, 23 de março de 2010

À tua espera


Nunca mais chegavas...
E eu aqui, à tua espera...
A comida a arrefecer no prato
e o vinho a perder o travo a frutos silvestres.
E tu, nunca mais chegavas...
Já desesperava à tua espera...
As ruas da cidade a perderem a luz
e as pessoas a fugir assim do seu dia.
As folhas das árvores a virarem-se para o outro lado
e o cão da vizinha na mesma ladainha de sempre.
E eu à tua espera, a enganar o estômago
com uma lasca de pão saloio,
a ver se não gastava a minha fome em
algo que não fosse o jantar, à nossa espera.
E tu nunca mais chegavas...
E eu esperava, feito parvo, com o vinho
a perder o seu brilho
e o jantar na mesa a ficar frio.
Levantei-me e fui à janela.
Talvez o meu vulto visto lá de baixo
te fizesse chegar mais depressa.
Ou talvez estivesses empatada no transito
e eu nem sequer liguei o radio
para saber das noticias...
Talvez fosse a fome que estivesse a fazer
com que o tempo passasse mais devagar
e eu desesperasse por chegares...
Talvez fosse a memoria que me engana
mais uma vez e me faz acreditar que ainda vens...
Saio da janela...
O dia perdeu-se pelo fundo da rua...
O cão da vizinha já se calou.
Nunca mais chegas.
Vou jantar sozinho...

domingo, 21 de março de 2010

Tenho-te aqui


Tenho-te fria, na minha mão
suja deste dia de inverno matinal.
Já te não sei ter, que não seja assim,
de tez escondida do burburinho das luzes da cidade.
Fiz um risco no céu porque pensei
que via o fim ao dia que foi...
Errei mais uma vez...
Tenho-te longe nos meus dedos
soltos deste pormenor matutino.
Deixo-te cair no chão pardo
de já não mais te segurar pelas pontas.
E tu, assim que de mim sais, foges para o mundo
e escondes-te de tudo...
Tenho-te aqui, agora...
Longe do meu coração e tão perto,
tão perto, tão perto, que dói
só de te pensar...
Mas tenho-te aqui...
E aqui vais ficar...

terça-feira, 16 de março de 2010

Sou Eu...


Sou Eu...
Sais-me assim de dentro do mundo.
Feres os meus olhos de ilusão...
Doem-me os dedos de procurar por ti
por todos os livros que mergulham nas minhas mãos.
Sou Eu...
Hoje já não há o suspiro de tranquilo.
Já não existe o tumulto que pulula no âmago.
Deixei de ser meu...
Sou Eu...
Sem ser Eu, estranho...
Obscuro e sombrio pensamento que vagueia
perdido por esse mar de incerteza.
Estou perdido como o pensamento
e nem me quero encontrar.
Tenho certeza.
Sou Eu...
Abre a porta e deixa-me entrar...
Sou Eu... Só Eu.

domingo, 14 de março de 2010

Despedida


A rua veste-se de vazio.
Já nem os pássaros voam por aqui.
Cai a névoa de fim de tarde
e abraça os candeeiros
que expulsam a custo uma luz ténue
para o meio do nada.
O dia despede-se, mas aqui,
ninguém repara.
Olho para a rua, lá ao fundo...
Já lhe não vejo o fim
nem o fim me vê a mim.
Sentado,
com uma chávena de chá numa mão
e um todo de nada na outra.
O chá é agora tudo o que me recorda
do calor que o Sol me trouxe neste dia.
O sino da igreja geme as sete da tarde ao longe...
Está a fazer-se tarde
e despede-se o dia sem ninguém reparar...
Triste e cabisbaixo, segue, horizonte fora,
deixando atrás de si este manto negro
que agora toma forma de noite.
O sino parou.
Agora, silencio de dia que se vai.
Já nem os pássaros voam por aqui.
Sentado, dou um gole no chá...
Sorrio...
Para Mim, para o fim do dia.
Para que saiba e se alegre...
Para lhe mostrar que Eu reparo na despedida.
E de alguma forma ele retribui,
e para mostrar o seu agrado
dá-me calma...
E sabe bem...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Estou farto!!


Nada mudaria só porque se quer...
Faria sentido se tudo fosse igual?
Nada acontecia sem nunca se desejar...
Faria sentido se o óbvio fosse obscuro?
Seria a mesma coisa se ainda não tivesse desistido?
Nunca mais vou entrar por aí...
Seria a mesma vida se te não encontrasse a cada esquina?
O caminho que escolhi continua aqui.
Apenas o percorri de forma errada.
Como se o tivesse feito a correr,
quando afinal o que era preciso
era um passo de calma a cada vez.
Corri... Sim, não me arrependo.
Correr faz bem à estima.
Só tenho pena de não ter visto a pedra
que pus no meu caminho e me fez cair...
Caí... Sim, mas teria sido igual?
Faria sentido se tudo fosse igual?
E se não encontrasse a pedra, estaria aqui?
Nada é valido quando se pensa nos "SES" passados.
Mas parece que são eles que regem a nossa vida.
Estou farto!!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Chama-me


Junto os medos e os porquês,
chamo-te a meio da noite...
Levo-te uma mão cheia de nada,
uma mão viciada no cigarro
que queima pouco a pouco
a Alma já de si fraca... Fria...
Não me chames a meio da noite.
Traz-me antes uma mão...
a tua mão, cheia de tudo.
Junta os porquês com os medos.
Junta tudo, põe na mão, na tua mão,
para que se encha, e assim,
com uma mão, a tua mão, cheia de tudo,
eu junto a minha à tua...
Chama-me a meio da noite,
e com a mão cheia de de tudo,
eu vou para ta dar, para te abraçar
e ao teu âmago, com um abraço
daqueles de que sei, te lembras bem...
Chama-me e eu vou...
Mas chama-me só com uma mão cheia de tudo.
Vem ter comigo e fala...
E junto tudo o que tenho para to mostrar.
Quando tu queiras...

sábado, 6 de março de 2010

Pedaços...





Sou um pedaço de tudo cheio de nada...
Um ponto de luz no escuro da noite.
Algo que se vê e não se quer.
Fito o vazio aqui de fora...
Espreita à porta o gato preto.
Lambe as patas e fita-te com o seu olhar.
És um pedaço de nada, vazio de tudo,
mas ele vê-te...
Viro as costas à noite e apago
por hoje a luz que me guia.
Vou dormir, não sei nem para quê.
Fecho os olhos e continuo aqui...
Nem vontade sequer de aquecer a Alma
com a memoria do que já foi...
Já que aqui estou, já que aí estás,
ao menos deixa-me dormir.
Deixa-me descer do escuro e por ora
perder-me nesse prado de margaridas
em flor e riachos que acalmam
os sentidos com os sons que faz
a agua, correndo por entre as rochas...
Deixa-me dormir...
É só um pedaço...
Um pedaço de tudo... cheio de nada.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Alegria


Quando caminhas pelo jardim, mordem-me os lábios e serram-se-me os olhos
de sempre que o teu odor a flores e mel se cruza com o meu pensamento.
Quando descias a rua, as pessoas olhavam e não podia deixar de ver o sorriso que
aparecia nas suas faces de sempre que viam o teu cabelo ondular ao vento Suão...
Quando te vi pela primeira vez, nem te vi...
Estava cego por algo que me prendia o passo e o olhar,
e não me deixava viver...
Foste tu que qual Ser pleno de vida me deu a minha,
como quem deleita uma criança que brinca no jardim.
Foste tu que vieste ter comigo e me soltaste
das correntes que me prendiam ao chão.
Foste tu que me limpaste a escuridão do olhar
e com um suave suspiro,
Inspiraste vida no lado esquerdo da minha Alma...
Quando saíste Mundo fora, fiquei ciumento Dele...
Fiquei zangado por não te poder prender em mim
e para sempre te ter dentro do coração.
Mas depois deixei de ser egoísta e vi que afinal estás aqui.
E agora que te olho com olhos de ver,
nem consigo explicar a sensação que tenho no meu peito...
Algo que só tem lugar num momento, num determinado momento,
que nunca conseguimos prender à memoria...
É aquele baque que dá no peito de cada vez que
esperamos por algo de excitante que aconteça...
Aquele baque que sabemos ser bom...
Alegria, poder compreender-te...

terça-feira, 2 de março de 2010

Bom dia...

Acordas...
Olhas à tua volta só para fechares os olhos logo a seguir.
Tentas desesperadamente fazer parar o tempo,
só para que possas, só mais um pouco, aninhar-te neste mundo
perfeito que te rodeia, agora mesmo...
Mas o tempo segue sem te escutar e logo volta a lembrar-te
que há um dia à tua espera...
Toca o relógio... Som agudo que sai disparado
pelo quarto fora...
Abres os olhos e com muito esforço olhas para a janela,
agora orgulhosa, que te mostra o brilho
do que está para vir...
Tens de o fazer... é obrigatório...
Mexe-te... Põe os pés no chão e levanta
o teu corpo descansado da noite.
Prepara mais um elixir de vida
para gastares no dia que aí vem.
É só mais um...
Mas é mais um...
Magnifico!!
Bom dia...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Outra vez!!

Longe do mundo que criei,
deitei-me no silencio do crepúsculo.
Fingi dormir por um pouco
sem que conseguisse sequer fechar
os olhos da alma ao mundo...
Venci o medo de ter medo,
o medo de continuar em frente.
Venci-o de repente...
Sem me aperceber, entrou em mim
a calma e sossego.
Fechei os olhos e vi o fim do dia como
algo de bom... Primeira vez!!
E foi longe do mundo que criei...
Longe daquilo que me assustava...
Longe da calma e sossego que queria
no mundo que criei.
E não sabia que era preciso criar
outro Mundo...
Um Mundo maior, para derrotar o medo
de o criar... Outra vez!!
Primeira vez!!!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cinza

Frio dormente...
Cinza de um céu coberto
de nadas e tudo.
E a sombra do que foi,
vasculha as memórias em busca
de algo que se digne a ter cor.
Amanhã é o teu dia
e Eu queria não me lembrar.
Queria que passasses por mim a correr
e não viesses de encontro a mim, sempre.
A sombra da nuvem que passa
Tira-me o calor do Sol
e sem o Sol,
não sei ver as cores.
Sem o Sol fico aqui, de sobretudo,
a caminhar pelas ruas molhadas
e envergonhadas da chuva.
E enquanto a sombra pairar sobre mim,
a cinza do céu vai trazer o frio
que me faz dormente...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dedos de papel


Dedos de papel...
Que fogem ao controlo das coisas
e remetem para onde os fugazes instantes da
fúria se demonstram e agigantam.
Dedos de papel,
sem o serem verdadeiramente,
são-no de uma forma tão firme e agreste,
que queimam de incerteza.
Dedos de papel,
que mostram aos outros o que vai na mente de pedra.
Dedos de papel,
que de papel se queimam tão facilmente
como fácil é para o Sol saltar
para o outro lado do mundo e deixar-te no escuro.
Dedos de papel
que dedilham um qualquer piano,
chorando melodias desesperadas de atenção
Dedos de papel
que fracos já nem se opõem à força da mão que os sustem
Dedos de papel
que em vão tentam segurar os grãos de areia,
que na tua palma,
anseiam pelo chão da praia...
Já não são nada.
São apenas dedos de papel.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sentado

Sentado.
E à minha frente, a agua da fonte que jorra,
funde-se com as gotas da chuva que cai.
O céu cinzento insiste em lembrar-me que é inverno.
Insiste em esconder-me do Sol.
A chuva que cai, molha-me a face,
o corpo, já encharcado e frio.
Nada...
Nunca nada...
Sentado...
Rasga os céus o ruído rouco de um avião que passa.
E mais um carro que desce a rua.
Os pingos da chuva que cai,
lavam de agua as pedras da calçada,
pisada até à exaustão pelas pessoas que passam,
indiferentes, a correr...
a fugir da chuva que cai...
Passam por mim...
Sentado...
E aposto que no breve momento
em que o seu olhar se cruza comigo,
aqui sentado, molhado,
se questionam o porquê de eu não me proteger da chuva.
Esquecem-me assim que desviam o olhar...
Não é importante...
Passo a ser apenas algo de vago nas suas mentes...
Memorias para esquecer...
Só a chuva continua...
A chuva não me esquece...
E molha...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Proibido


Não se pode fazer.
Não se pode tentar...
É proibido chegar até ti agora
É proibido alimentar esperança, falar quente...
Feliz.
É proibido ser ou tentar ser tranquilo
quando se cruzam olhares magoados
pelos enganos dos outros.
Não se deve pensar no que seria...
no que foi, o que foi e porque foi
Não se encontram nos cantos da memória,
lembranças do que existiu um dia de belo,
e deixou de existir...
É proibido fazer caso.
É proibido ter uma opinião.
É proibido expressar-ta.
Não me deixes cair neste jogo de proibidos...
Não me deixes ficar aqui à espera de um caminho
de pedra fria e cruel que me rasga os pés...
Vem e traz-me um aceno... uma certeza...
Não me importa que doa, que fira
ou aconchegue, simplesmente.
Só não me deixes de olhos fechados
a pensar que tudo me é proibido.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

É o que for...

Quando cai a noite ao pé da ponte,
as coisas parece que se perdem no tempo.
E sempre que o dia é de chuva,
há um misto de névoa e calma
que se apressam a invadir tudo em redor...
É uma visão estranha mas maravilhosa, de mistério...
E quando passeias pelo caminho de leva à ponte,
as árvores parecem inclinar-se para te poder tocar...
E nesse instante parece que fazem o que for preciso
só para poder trocar de lugar com qualquer maltrapilho
e com os seus olhos poderem mergulhar
nas cores da tua pele...
Na brandura do teu sorriso...
No cheiro a luar do teu cabelo...
E aí as coisas parece que se perdem no tempo.
E quando passas, ao cair da noite, junto à ponte
o mundo parece pausar para te olhar,
quando a névoa se apressa a invadir tudo em redor,
ela vem para te abraçar,
como se tivesse ciumes das árvores
que fazem o que for preciso para te sentir...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sonhos...


Já não estás cá.
A janela aberta deixa entrar o calor de um dia de verão.
Ao longe, as árvores do jardim procuram-te sem sucesso.
Eu procuro-te com elas...
Deixam-se levar por conversas e boatos
que os velhos do jardim mandam para o ar.
Escutam o cantar do vento em busca de uma nota da tua voz.
E eu olho para todo o lado,
na esperança de a qualquer momento
encher meu olhar com o teu corpo de mel e estrelas.
Na esperança de te encontrar primeiro.
Já não estás lá.
A janela aberta nada de novo traz à sala,
para lá do quente de Agosto.
Lá em baixo correm os carros e as gentes,
e nem sabem o bom que é quando tu vens...
E nem sonham o que é saber que existes.
E se soubessem vinham também,
comigo,
com a árvores,
procurar e encontrar-te primeiro,
para se perderem no encanto.
Para se perderem no recanto
da mente que guarda
o mais belo dos sonhos...
Para ti...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Som Antigo

Quando não dá, não dá.
Há daqueles dias... ou noites,
neste caso noites,
em que por muito que se queira,
por muito que se tente,
nada consegue parecer correcto.
E partimos por aí em busca de algo que nos diga
que o que estamos a fazer é certo ou errado
mas não encontramos,
e então continuamos a procurar...
E procuramos, e procuramos...
Até que por vezes se desiste...
Ou por vezes não, e até se encontra algo
que nos dê um motivo, ou nos mostre um lado diferente,
ou nos faça ver que é por ali...
Por vezes basta ver alguém...
Olhar para algo de belo...
Ou ouvir um som antigo que nos desperte
da letargia em que mergulhámos...
E o nosso interior reage a esses estímulos
e acorda-nos para que possamos viver o momento.
Por vezes é necessário que estas coisas aconteçam...
Senão corremos o risco de deitar fora
aquilo que de mais precioso temos.
E não, não é a vida...
É a capacidade de saber aproveitar
tudo o que ela nos mostra da melhor forma possível.
E quem souber fazer isso estará sem duvida
a saber viver.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Raiva



Raiva...
Desprezo e déspotas que lutam de mãos dadas.
Favores que se rasgam do céu vermelho,
fisgam os olhos dos outros de farpas acesas de fogo.
Borbulham os inocentes no caldeirão de injustiças.
Agrestes a tudo o que possam agarrar de bom
só por ter medo de, mais uma vez queimar a mão
já de si fraca pela carne podre que a segura à vida.
Desprezo do Divino pelo comum, julgado abaixo de Si.
Sem sequer merecer, é atingido por martelos de dor e sofrimento.
Sem que o diga sou incapaz de fazer diferença.
Sem que o não faça continuo a lutar.
Sem que possa desistir viro-me do avesso.
Tento de novo...
Tento de novo...
Tento de novo.
E logo me prostro no chão negro de cinza ardida do fogo de hoje...
Mais um dia a remar contra a maré...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pedras


Seis dias...
Seis vezes...
Seis voltas no circulo sem fim.
Seis horas, sem que me conheça os passos.
Junto as pedras que guardo comigo para levantar o muro.
Seis...
Todas, fazem um amontoado de memórias agora doentias
que vejo a preto e branco quando afinal são a cores...
Seis passos em torno do que se quer como vida.
Seis passos em frente pelo caminho preparado para os meus pés
Seis pedras que montam o muro...
que o derrubam e cobrem de pedra o carreiro.
Seis pedras caíram.
Seis dedos de conversa fiada que distraem a mente do mau.
Seis flores que na mão perdem o brilho da vida.
Seis de ouros numa sequência de poker.
Seis pensamentos que vagueiam.
Seis da manhã...
Vem aí o Sol...

sábado, 16 de janeiro de 2010

à espera do fim


Fujo do medo do fim,
resisto ao fora de mim e ao comprimido.
Sem ter por onde verter
toda a revolta que me deixa deprimido.
Seja pela noite que ferra de frio,
seja pela vaga ausência de vazio,
Sequei a fonte que me mata a sede,
matei a minha fome...
com uma maçã verde...
Já tempos houve em que tinha tudo não tendo quase nada...
Dormia onde calhasse ouvir o vento zoar pela estrada...
Fazia o meu caminho suave e com calma,
quer fosse com ou sem qualquer Alma,
e caminhava alegre e contente
seguindo os traços...
da minha palma...
Se ainda me queres viver,
Se ainda me consegues amar,
isso já pouco interessa
Queremos os dois saber,
Eu quem sou e tu que queres,
juntos na mesma peça...
Os dois à espera do fim...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Poiso

Mais tempo de mudança.
Mais pôr a casa às costas e partir de novo.
Mais sentir o vazio das coisas,
vazias de sentido...
de significado.
Mais ser o que se não quer, só por ter de ser...
Mais fazer o que se deve, só por se dever...
Espiral que só parece descer sem ter fundo.
Montanha russa que nunca mais acaba de cair,
depois de subir, em direcção aos céus.
Tempo de vida que se sente perdida
sem ter um sequer amparo,
um poiso que possa chamar seu...
Mais tempo de mudança...
Mais pôr a casa às costas e partir.
Se calhar para o poiso...
Se calhar não...
Não sei.
E só saberei quando a calma voltar,
e eu me sentar
e me sentir, de novo, em casa...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Stars


Frio.
Fria noite escura,
de estrelas que brilham lá longe..
Longe onde as não posso tocar.
Em tempos que não posso viver, e brilham
no céu que fito e desejo tocar com a mente...
Mergulho no longe e negro,
segredo do que já não importa...
Não são essas coisas de pensares e dizeres
que me afastam dele...
É o estar longe...
Longe do toque firme da minha mão,
daquela sensação de frio inebriante
que causa arrepios de felicidade...
Como um orgasmo mesmo naquele
instante entre o sentir
e o gritar de prazer.
Como fumar uma ganza
e perder-me do mundo que, obliveo,
corre por baixo das estrelas que brilham...
Aqui... mas de além...
lá longe...
Longe onde as não posso ter...
Nem tocar.
Mas sorrio...
Porque me vêem a mim...
E assim fico bem...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Perde-se...

Ganha-se um suspiro,
Memórias de um segredo
que não se guardou do mundo.
Ganha-se uma vida,
perdida no meio de mil
sem qualquer importância.
Ganha-se uma tarde calma de Outono,
a ver as folhas das árvores a cair,
Ganha-se uma calma serena,
de quem se esqueceu por momentos
que o mundo é um menino mau
que insiste em usar-nos
como objecto das suas partidas.
Ganha-se tempo ao tempo
e por um tempo pede-se
um tempo à fúria da vida.
E ganha-se alegria e felicidade
e calma e tranquilidade.
Ganha-se, por instantes, à vida.
E pensa-se que somos imortais,
que podemos tudo...
Para depois se perder...
tudo...
quando chega o fim...
Ganha ao fim e goza tudo
agora...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Perdi


Fugi...
Aguardente morta num copo meio vazio... meio frio.
Xailes velhos que esvoaçam ao vento polar que se aproxima.
Portas meio abertas deixam passar os raios do Sol poente.
Sentado sem eira nem beira...
Devo-me isso pelo menos...
devo-me essa mágoa de esperar que chegue o vento.
Que passe o Sol para lá do mar e ilumine o outro lado do mundo.
Portas meio abertas deixam entrar os outros.
Xailes velhos das senhoras de outrora...
Negros de luto... num negro vibrante que ondula e mostra o vento.
Vasculham por entre as portas abertas por algo que lhes dê vida...
Alguém que, como eu, se sente ali, sem eira nem beira...
E lhes dê o esplendor que tiveram...
Perdi...
Ninguém veio...
Ninguém chegou...
Só o vento polar...
e as portas abertas que o deixam entrar...
E o Sol que irradia o fim da vida...
E eu que aqui... perdi...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Vulto


Fito a rua, agora vazia e morta.
Estou cá fora... faz frio.
Está escuro já, neste dia, fim de Dezembro.
Janelas fechadas nas fachadas cinzentas da rua...
Tudo calmo...
Passa o tempo devagar... devagarinho...
Passa por mim um vulto que não consigo distinguir no escuro da noite.
Passa a correr... envolto na sua vida,
cruza-se com a minha sem sequer se aperceber
e desaparece quando dobra a esquina.
Penso em segui-lo, saber quem é,mas...
e o que encontrarei eu depois?
Que será que está do outro lado?
Quem?
E se ficar aqui e não dobrar a esquina?
O vulto que mal vi, dobrou-a e desapareceu no escuro da noite...
Dobro a esquina...
janelas fechadas nas fachadas cinzentas
que agora se agigantam na minha frente...
Do vulto, nada...
De novo, nada...
Nada de nada...
apenas o virar da esquina
e o olhar este lado do mundo
que agora já conheço...
igual...
O vulto, esse, passou pelo meu lado do mundo e,
pergunto-me se sequer parou por um pouco
para o ver... para saber...
Tinha pressa.
Pressa de dobrar a esquina e, como magia,
desaparecer neste canto calmo da noite fim de Dezembro,
por entre essas janelas fechadas do escuro...
Fechadas do mundo cinzento...
do frio da rua...

Funny

It´s funny how someone can break your heart
and you still love them with all the little pieces...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O que vês?


São só resquícios do que já houve.
Só fugazes momentos, agora longe no tempo e na memória.
São como recordações de quando éramos pequenos
e nos levavam ao jardim para jogar à apanhada.
São daqueles desejos que se deseja com força.
Que se deseja que sejam... que aconteçam.
São alegrias, tristezas... fúrias e medos
que atravessam a mente a correr,
a fugir do nosso momento de recordar...
São como flocos de neve que caem do céu
num dia gelado de inverno...
sem vento nem nada.
Devagarinho...
São desses momentos que guardamos,
nem sabemos bem onde...
Só, que os temos aqui, bem guardados.
São todos e nenhum sentimento.
São tantas coisas e nenhuma ao mesmo tempo
Não sei como escreve-lo...
Quando olho para o infinito
é tudo o que penso,
tudo o que vejo.
Tu?
O que vês?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Vento


Se fosse o vento, rebolava pelas paginas de um livro
qualquer que estivesse pousado em cima da mesa do jardim
e lia-o de lés a lés, e depois saia por aí a contar a historia
que li a todos que encontrasse pelo caminho.
Se fosse o vento, saia todos os dias do canto do meu mundo e
vinha beijar a tua face com aquela brisa matinal
que cheira a mar e flores silvestres.
Se fosse o vento contava-te as minhas aventuras
por esse mundo fora e mostrava-te o magnifico que ele é...
Se fosse o vento, seria livre para voar e ver o mundo lá de cima
e de certo seria mais belo e simples vê-lo, assim...
Se vento fosse, contente passeava pela curvas do teu corpo
num alegre dia de sol e calor... e praia ao mar...
Se fosse o vento lia os livros que pousam nas
mesas de jardim, só para poder contar-te historias do meu mundo
que calcorreio a trote de um cavalo imaginário.
E ía por ai a pairar pelas pessoas, e por ti e dava-te
um gostinho de mar e flores silvestres
que trago no vento que seria...

domingo, 29 de novembro de 2009

Salta na poça...


Olho a janela e vejo as gotas da chuva a cair na calçada,
agora encharcada com rios de agua cheia de coisas
que a rua guardou nestes dias...
Com ela, crianças a saltar para as poças e a levar puxões das mães,
que as levam, chateadas... e leva a chuva...
Leva consigo as conversas, os passeios e as correrias de outro dia...
Que ali ficaram à espera da chuva
para poderem sair na corrente da agua que passa...
e leva o que encontra no caminho.
Olho a janela e vejo a chuva de encontro ao vidro,
no fim da vida, que começou lá no cimo,
nas nuvens que passam apressadas
a querer ir já para outro sitio,
este já está... já passou...
Olho à janela e vejo... pessoas
a passar ora depressa, ora devagar
E dão lugar ao vazio das coisas quando fogem da chuva, que molha...
Molha a alma e o casaco... e os sapatos que se encharcam
ao passar pelas poças que criam os rios na calçada
e as crianças que saltam e os rios que passam e levam tudo
o que ficou à espera que viesse... a chuva...
Já cá está... aproveita, não tarda nada chega o verão
e tu nem sequer saltaste na poça, com a criança que tens dentro de ti...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

De propósito?


Que cena marada...
Acho que me senti vazio...
como quem vê de repente que se esqueceram de nós...
ninguém deu pela nossa falta.
Fiquei um pouco passado dos carretos...
triste por pensar que alguém
de quem se espera o que se espera,
nos possa pôr assim de parte, fora do mundo...
Tá bem!! Nem sempre se podem lembrar de nós, mas porra!!
Ao menos uma pequena mostra de que estamos aqui,
um açoite na temperas da memoria para que saibamos que,
pelo menos para alguns, fazemos diferença...
Era só isso que eu pedia...
Nem sei se é demasiado o que peço...
Nem sei se o que peço é devido ou não,
mas pelo menos já não ficava aqui,
nesta angustia de saber ou não se essa indiferença
é propositada ou apenas um simples...
"Ah, esqueci-me, desculpa lá meu..."
Sim, já sei...
" Éh pá, acho que estás a exagerar e tal..."
Mas neste momento é o que sinto...
É como me sinto... num vazio tremendo
no meio de um vazio cheio de nada...
E que cena marada... e passo-me dos carretos
por saber que tento nunca esquecer-me de ninguém intencionalmente
e pensar sequer que pode haver alguém importante para mim,
que o faça... a mim... de propósito?
Que vazio...
E vazio maior ainda, quando nos apercebemos de que afinal
nada é como pensámos... nada é o que a nossa mente
desenhou e pôs no pensamento... que vazio o ter
de, em silêncio, pedir desculpas por tudo o que
pensámos de quem o não merecia...
E isto?
Será de propósito?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Queria


Queria deixar-me destas coisas de pensamentos parvos
e filmes imaginários que me passam pela cabeça.
Queria poder fazer desaparecer da mente aqueles momentos
que juntos passámos e as tardes no parque...
Queria poder controlar aquilo que sente o lado esquerdo da minha alma
e não temer as picadas no musculo maior, de sempre que me recorda o teu sorriso.
Queria dizer-te o Mundo, se não te tivesses tornado surda ao meu grito...
Queria sentir uma calma que sei, chegará,
mas por ora está fora de qualquer mão que a queira alcançar...
Queria deixar-me destas coisas parvas de filmes e pensamentos... e sonhos
que tanto desejam aquilo que por certo nunca acontecerá...
Queria acordar numa manhã fria de agora
a não mais te sentir no canto da minha mente...
Queria só e simplesmente poder passar um dia que fosse
sem que viesses cá dentro e, de novo, como sempre,
me desarrumasses a alma do sitio
onde todos os dias a escondo de ti...
Queria não ter de tanto querer que não estivesses aqui.
Queria não ter de tanto querer não ter...
Queria que te perdesses de mim.
Queria que não me encontrasses...
e assim poderia finalmente descansar
e deixar de tanto querer...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Estranho

Estranho como funcionam as coisas...
Estranho, como às vezes me sinto...
Vazio de sentido para este meio perdido de tudo.
Esquecido neste desenrolar de cordas
a que chamam vida...
Estranho o constante medo da solidão
quando é sós que nos damos melhor connosco...
Estranho, este sentimento de revolta
frenético, que corre nas veias deste
casulo a que chamam corpo...
Estranho, este invólucro de ilusões
que nos leva e traz, e leva e traz de novo...
Como se estivessemos ao sabor das ondas
da nossa existência...
Estranho como sempre caímos no mesmo erro
mas estamos sempre lá, para cair outra vez...
Estranho, o impossível.
Estranho, o improvável.
Estranhos os que nos rodeiam neste circo de vaidades
Estranhos a nós e a si próprios...
E tudo o que é estranho, sempre fascina...
Sempre causa curiosidade...
quanto mais não seja de saber o porquê...
O porquê de tudo o que não entendemos.
Porque quando o entendemos
deixa de ser estranho...


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Gelo


Oculto...
Longe dos olhos se afasta a desconfiança
Longe da mente se defende o coração...
Foge dos sentidos e esconde-se no canto escuro
À espera que o dia corra de feição para sair...
timido e desconfiado
de tudo e todos.
Mas quando sai, lá vai,
assim como quem vê uma criança a correr pela rua abaixo
livre de preocupações e sem saber sequer
que o mundo à sua volta continua cruel, vil e malicioso.
E sem o saber corre-o, até que de repente
uma rajada de realidade lhe mostra os podres,
os pestilentos perconceitos que atrofiam
a liberdade da mente e a atiram de novo
para aquele canto escuro... longe da luz.
Sem ela, desfalece...
Sem ela, já não vale a pena
sair a correr por aí...
Sem ela... o gelo em se torna a vida
afunda-o para dentro do mar...
E não consegue sem ela derrete-lo...
E esse icebergue em que se torna o coração
esconde de todos o quão grande é o gelo
que o rodeia...
E assim talvez consiga de todos proteger-se.
Mesmo daqueles que bem lhe desejem...
Paga o justo pelo pecador...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Céu


Fiz um desenho no céu que fitei após terminar.
E da forma como o fiz, fiquei sem palavras para lhe dizer que não.
Desenhei uma imagem no meu céu de hoje que,
ainda que bela, não era a que desejara.
E fiquei ali... a olhar para ela e a ver
aquilo que queria mudar mas já não podia.
Fugi dali para que ninguém soubesse que era eu o autor...
Fugi e corri por todos os lugares onde houvesse algo
que me pudesse aproximar das nuvens
e assim talvez houvesse caminho para chegar perto
e apagar o meu desenho errado.
Mas nada... nada de lugares perto das nuvens...
perto do céu, onde pudesse desfazer o desenho...
E nada me fazia crer que as pessoas e o mundo
olhassem para ele e gostassem.
Mas depois de muito correr e muito cansar
em busca de algo para corrigir, vi que ninguém o viu...
ninguém sequer reparou no desenho que fiz no céu e fitei após terminar...
E sorri com um sorriso malandro
de quem se escapou de levar um raspanete.
E fitei de novo o desenho e fiquei sem palavras para lhe dizer...
Fiquei ali aqui a fitar o meu erro no céu...
que deixou de ser erro, porque ninguém o viu...
só eu...
E para mim sorrio e digo que se calhar... já não é errado...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

... !!


Na verdade nem sei porque escrevo isto hoje.
Pensei que fosse difícil fazê-lo, especialmente
porque hoje não tenho nada na cabeça para transcrever para o papel.
E se não fosse esta vontade parva de satizfazer o meu ego,
não teria escrito absolutamente nada, hoje.
Mas cá está.
E não é sobre nada em especial... nem sobre ninguém...
É só e apenas o pôr em letras o que tanto me
chaga o pensamento, hoje, distraído de tudo.
E até nem sei porque escrevo... o que escrevo...
Para dizer talvez que já tenho mais um texto?
E que importância tem isso?
De certo, quem o ler, vai pensar o mesmo que eu:
"...Que parvoíce!!!"
Pegada parvoíce, pôr aqui um amontoado de letras
que nos fazem ler, para depois chegar até aqui e ver
que não faz sentido nenhum...
Tempo desperdiçado a ler o texto, a escrevê-lo,
só porque assim já tenho mais um texto.
Na verdade, o pouco que tenho hoje na cabeça
atesta o aborrecido que foi o dia,
sem nada de realmente relevante
com que possa pensar ou dizer:
"Realmente, hoje foi um dia bem produtivo!!"
Não... nem isso... nada...
Hoje foi... nada!
E um nada um tanto ou quanto aborrecido...
Aborrecido ao ponto de ter escrito tudo isto só porque...
...Não sei o que escrever...


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

No canto do coração


Ali ao fundo está a tua indiferença.
Pensas que me importa ainda?
Pensas mal...
Tempos houve em que essa indiferença
me crivou o lado esquerdo da alma
com balas de dôr e magoa.
Mas essa magoa e dôr não foram
suficientes para me derrubar.
Ali ao fundo está a tua indiferença.
Sofri, e muito , com o que aconteceu,
e sinceramente não sei ainda
se algum dia entenderei a razão
pela qual tudo foi dito, tudo foi feito.
Mas agradeço o facto de teres feito parte da minha vida.
Agradeço-te porque me ensinaste que nem todas as pessoas
são quem dizem ser.
Ali ao fundo está a tua indiferença.
Agora, de longe olho para lá,
apenas com a curiosidade de saber
o que passou pela mente tua e minha
e nos fez tomar as decisões que tomámos,
só curiosidade...
Ali ao fundo está a tua indiferença
Se for como tu. vou voltar-te as costas
e fingir que te não vejo quando vir...
Mas sabes que o não farei, pois não sou como tu...
De mim não terás nunca indiferença.
Este coração que bate por mim,
guarda um canto nele que é teu.
E enquanto te tiver no canto do coração
serás sempre alguém que merece tudo...

domingo, 25 de outubro de 2009

Abstracto



Paro o que estou a fazer e olho este céu nublado de Outubro.
Atrás de mim, falam numa lingua que não entendo.
E ao mesmo tempo, outros passam por mim e olham...
e desviam o olhar quando retribuo.
Só posso imaginar o que paira nas cabeças desta gente
que se cruza comigo, e eu, no caminho desta gente,
que pensa o que não sei... e gostava...
O céu cinzento por cima de mim ameaça com a chuva
e passa, devagar, numa direcção incerta para o horizonte...
Pergunto-me se mais alguém o vê como eu...
Atarefados e ofuscados com as suas vidas,
logo se apressam a abrir os seus carros, a entrar e arrancar,
como se já estivesse tudo visto, tudo feito.
Tocam os sinos da igreja... são quatro da tarde...
Ontem por esta hora já eram cinco...
E se calhar não tinham tanta pressa ontem,
em entrar nos carros e a sair,
como se já tivessem visto tudo...
feito tudo...
E falam numa lingua que não entendo,
coisas estranhas...
pelo menos para mim... e passam por mim
e olham-me,como se me conhecessem
de algum lugar ou tempo distante,
mas tivessem vergonha de me vir falar...

sábado, 24 de outubro de 2009

Desperta


Desperta...
Como se fosse a primeira vez,
abre os teus olhos e repara...
Vê... e olha com calma e atenção.
Desperta,
sempre atento ao mundo
que gira sem nunca sair do lugar.
Sem nunca saires do lugar,
salta fora e fora tira
tudo o que te faça peso
e te não deixe voar
para onde possas despertar...
Desperta...
e leva contigo o que queiras
para dar aos outros...
aos que por ti nutram um carinho
igual ao que pulula ai dentro
Desperta...
e conhece o teu caminho,
e conhece quem queiras que caminhe ao teu lado...
e pede-lhes que caminhem contigo
e mostra-lhes o caminho que escolheste
e com eles caminha e vai,
Desperta...
e desperta-os a eles...
E quando eles acordarem ,
vão querer provar um pouco
dessa enebriante alegria e vontade
que tu tão carinhosamente
partilhas com os que caminham contigo.
Por isso e só por isso...
Desperta...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vê se resulta...



Detesto não ser dono do que sinto.
Sei que não há emoções que nos destruam,
mas há-as que nos ferem e magoam de tal forma
que por muito que queiramos nem sempre conseguimos afastar de nós...
Hoje foi um dia triste...
se calhar a chuva fez das suas ao torná-lo cinzento e sensaborão,
mas de qualquer forma não a posso culpar.
Afinal também de dias de chuva se faz a minha alegria.
Porque será que às vezes temos a tendência de culpar
o tempo pelas tempestades que vão na nossa alma?
Hoje fiquei um pouco mais pobre...
e o que perdi nada mais foi do que alguma auto-estima,
que de certo recuperarei mais tarde,
mas não implica que agora me tenha afectado.
Agi de uma forma que agora talvez ache errada,
mas na altura pareceu-me acertada..,
Seja como fôr, está feito e não há volta a dar...
Só tenho pena de não conseguir,
como alguns, ser dono do que sinto
e a meu bel prazer enxutar para longe
tudo o que me altera a razão do pensamento...
Tenho pena de, como alguns,
não conseguir erguer uma muralha de pedra entre mim e os meus sentimentos
Poderá ser algo de bom... mas agora faz-me mal...